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FORÇA
INTERIOR
CÂNDIDO
PINHEIRO

Bati a porta e com raiva sai sem olhar para trás
Desorientada e sem destino perambulei pela noite afora
Meu orgulho ferido era mais forte que o amor que sentia
A boca que antes me beijava em cólera me feriu em desatino
As mãos que sempre me acariciaram e afagaram
Foram as mesmas que em meu rosto explodiram
Desconheci você a partir daquele instante...você morreu pra mim
Amargurada e humilhada em uma esquina qualquer do destino
Chorei todos os oceanos em lágrimas para desafogar a minha tristeza
Pois meu amor por você foi incondicionalmente de corpo e alma
Fui só tua...simplesmente nua e crua...
E agora...por você fui despojada, enganada...fui trocada
Olhei para o alto a procura e não avistei o Senhor
A cidade movimentada em multidões, parecia-me vazia
Escassas as esperanças de voltar um dia a ser quem eu era
Perdi meu lenço e os documentos numa rua qualquer do tempo
Triste sina de quem pecou em amar unicamente por amar
Mas de repente, meu coração em alerta sussurrou: Eu estou aqui...
..Sou luz divina de fé, tua Força Interior!
Eu sou o Senhor que procuras...
Naquele instante o mar revolto tornou-se calmo e tranqüilo
No rosto as lágrimas secaram de um sopro fraterno
Acolhida por seus braços, recostei-me sobre o seu colo
Suas mãos acariciaram os meus cabelos e mansamente falou-me:
"Eu moro no seu coração e quando precisares de mim
procure-me dentro de você.
Eu sou o único capaz de livrar-te de todos os infortúnios.
Levanta-te e ergue tua cabeça, pois de agora em diante terás um novo caminho a percorrer e, ao meu tempo,
estarás eternamente comigo."
Com novos passos segui em frente, para trás apenas a sombra de meu corpo, e à frente nascia no horizonte um radiante sol anunciando que a cada dia Deus nos dá a oportunidade de começar de novo, recomeçar, nascer, renascer, tentar sempre ou até mesmo sacudir a poeira e dar a volta por cima.
24 janeiro 2004
Santa Maria - RS - Brasil
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Cândido Pinheiro
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Reservados Brasil
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www.familiaborbapinheiro.com



Cândido
Pinheiro foi convocado pela poetisa Marilena
Trujillo e ele
aceitou publicar suas obras aqui,
generosamente e sem benefício pessoal de
nenhuma espécie.
Meu
agradecimento àqueles que, assim, se prestam
à difusão,
à expansão e à atualização da poesia no
mundo.
Meu
agradecimento permanente para os poetas
Marilena
Trujillo e Ógui L. Mauri
pela
gentil supervisão dos textos em lingua
portuguesa.
Alberto
Peyrano
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