ANDARILHO

CÂNDIDO PINHEIRO

 

Vida bendita, às vezes maldita por outras atrevida
Caminhos paralelos não se cruzam em nenhum segundo
Tempo escasso e sem espaço de ter você em meus braços
Vontade de mudar o instante ou revirar o mundo
Largando tudo para ser inconseqüente ou talvez vagabundo
E seguir o caminho do sol em céu aberto, ao teu encontro

Cabelos desalinhados, soltos aos ombros e ao vento
Calça jeans desbotada e um relógio manero da hora
Teu corpo fino e esbelto pede passagem em meu pensamento
Detalhes da miragem de tua imagem em frente ao espelho
Tenho dúvidas se fostes embora ou se nunca chegastes
Minha certeza é não ter dúvidas de que ainda te amo

Vou seguir minha estrada...Mochila nas costas...
Pés descalços para idas em frente
Até mesmo porque atrás sempre vem gente 
Pena não ser a gente que a gente quer
Gente que fosse você, minha miragem de mulher

Andarilho sem fronteiras e rompendo barreiras
Vou assobiando Jonh Lennon, de sul a norte 
Não sou hippie muito menos um dos beatles
Sou apenas um jovem romântico, sem destino
A procura de um amor aventureiro, sem passaporte
Mas que teima em amar a miragem do espelho

Vida mundana sem Anas, nem Joanas...
Até onde perdido de amor, vou andar nesta estrada?...
São montanhas vencidas, muitas curvas e descidas
São faróis, luzes altas e buzinas em idas e vindas
Meus olhos te procuram em todos os espaços
No vazio eu não te acho, mas eu hei de te encontrar... 

Nem que estejas refletida, no espelho de algum lago
E contigo em amor irei banhar-me, até mesmo se fores miragem
Pois tenho dúvidas, se fostes embora ou se nunca chegastes
Minha certeza é não ter dúvidas de que ainda te amo
E assim... somente assim terminarei minha viagem


25 janeiro 2004
Santa Maria - RS - Brasil


 
 
© Cândido Pinheiro
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Cândido Pinheiro foi convocado pela poetisa Marilena Trujillo e ele
aceitou publicar suas obras aqui, generosamente e sem benefício pessoal de nenhuma espécie.
Meu agradecimento àqueles que, assim, se prestam à difusão,
à expansão e à atualização da poesia no mundo.
 
Meu agradecimento permanente para os poetas
Marilena Trujillo e Ógui L. Mauri
pela gentil supervisão dos textos em lingua portuguesa.
 
Alberto Peyrano
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 





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